domingo, 31 de janeiro de 2010

Parte 5

Era tarde demais para voltar para a casa mas não para fugir daquela situação constrangedora. E num lapso de sanidade eu virei as costas e desci os 15 andares de escada. Ele chamou pelo meu nome, e eu não respondi, apenas continuei correndo pela escadaria.
Cheguei ao térreo ofegante, mas continuei correndo, sabia que ele viria atrás de mim. Assim que tomei uma distância razoavelmente boa de seu prédio parei para respirar e me localizar. Estava em um bairro nobre, isso era visível, mas não sabia exatamente qual, haviam poucas pessoas na rua e o tráfego de carros era pequeno, haviam vários prédios enormes com belos jardins de entrada e algumas casa bem grandes e com um toque requintado.
Ainda estava observando o bairro quando meu celular vibrou, mensagem dele. A mensagem era apenas um ponto de interrogação, não respondi. Eu não sabia o que responder, eu não sabia o que tinha me dado, talvez tenha sido o pânico de conhecer a familia dele. Aproveitei que estava com o celular nas mãos e tentei ligar novamente para ela: 'Fui viajar, não volto antes do dia 15, beijos.' era isso que dizia na caixa postal dela. Nesse momento eu fui escorregando pela parede de um dos predios que estavam atras de mim, aos prantos. Hoje era apenas dia 3, o que eu ia fazer? Aliás, o que tinha feito com  a minha vida?
Sentada na calçada, uma chuva fina começou a cair me molhando, mas eu não me importava, comecei a refletir sobre tudo que eu havia feito, pensei na briga com a minha mãe, no meu melhor amigo com aquela vagabunda, eu deixando ele a ver navios no elevador, e agora o sumiço dela. Da briga com a mãe eu não me arrependo, aliás não me arrependo de nada, acho que eu só deveria ter esperado um pouco e pensado como eu iria sobreviver nessa cidade. Meu celular vibrou novamente me tirando dos meus pensamentos, era ele.
'Se você precisar de qualquer coisa me liga, to preocupado com você mas sei que tu só quer ficar sozinha. Se cuida, por favor.' Era o conteúdo da mensagem, novamente não respondi. Me levantei, a chuva já havia parado e começei a perambular pela fria noite de São Paulo, até que um táxi, passou e eu fiz sinal para ele parar. Pedi para o motorista me levar para um hotel barato, sem muito luxo, apenas para passar a noite. Rodamos uns 10 minutos pela cidade até ele me deixar em frente a um hotel muito simpático, agradeci e paguei a corrida. Entrei no hotel e pedi um quarto pequeno somente para mim, por uma noite, a recepcionista arrumou tudo e me disse que o café da manhã era das 7 as 10 da manhã e o hotel tinha rede wi-fi de graça. Ai como eu amo a tecnologia. Agradeci, peguei a chave e fui até o quarto de número 23, entrei e avistei uma cama de casal, uma televisão, um ar condicinado e um frigobar. Também tinha um pequeno banheiro, e uma janela com uma vista bem bonita da cidade. A decoração era fofa e aconchegante, tirei meus tênis e fui direto para o banheiro tomar um longo e quentinho banho, era inverno, e eu estava molhada tinha que me aquecer. Vesti meu pijama e sequei o cabelo com a toalha, coloquei o celular e o mp4 para carregar e peguei o computador para ver meus emails. Nada de novo, apenas propragandas, desliguei o computador e liguei a televisão, fiquei deitada na cama apenas zapeando os canais da televisão mas logo em seguida cai em um sono profundo e pesado.

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