quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Parte 1

Vinte de junho de 2014, eu tinha acabado de fazer 18 anos e estava tendo uma briga horrível com minha mãe. Uma das piores, eu não aguentava mais esse inferno, ela passando a mão na cabeça da minha irmã a todo custo e não percebendo o quanto isso estava fazendo mal as duas.
Também não aguentava mais ela de melação com meu pai, eles achavam que tinha uma semana de namoro e não vinte anos de casamento. Ela não me deixava sozinha com ele, por ciúme.
'Você fala isso, porque tem inveja de mim' ela falou, e para mim isso foi a gota d'agua.
'Claro, morro de inveja de ter que pintar os cabelos pra não parecer uma velha, ter que trabalhar e dois empregos pra sustentar a casa, ter três filhos e não se dar bem com nenhum e ser casada com um fracassado, falido que teve que ir pro outro extremo do país para pagar as dívidas. É mãe, realmente eu tenho milhares de motivos pra sentir inveja de você.' A respondi, e pude ver que ela chorava, mas eu não me importei, aquilo foi o cúmulo. Sai da sala e fui ao meu quarto, chorando de ódio, peguei minha mochila de estampa de vaca coloquei meu notebook lá dentro, umas duas camisetas, uma calça, um all star, e mais algumas roupas. E o dinheiro que eu havia guardado desde os 14 anos, além de coisas pra higiene pessoal.
Troquei meu pijama quentinho por uma skinny, um all star branco, duas blusas de lã e um moleton. Continuei com frio, estava no pico de um inverno rigoroso do Rio Grande do Sul, coloquei a mochila nas costas e desci as escadas, peguei minha chave e meu celular e estava abrindo a porta quando ela apareceu e falou: 'Se você sair por essa porta, você não entra mais.'
'Eu é que não vou querer entrar nunca mais.' E sai pela porta, segurando o choro.

Um comentário: