domingo, 14 de fevereiro de 2010

Assim como eu fiz com o Desblogando, estou me mudando para o wordpress.
Beijos! http://aquelefuturobemdistante.wordpress.com/

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Parte 6

Dormi extremamente bem, como não dormia a um bom tempo, e acordei disposta a ir procurar um lugar para morar e um trabalho. Mas chegando ao hall do hotel para tomar o café me dei conta que era sábado, então antes de ir para o local do café da manhã fui a recepção e pedi para estender minha diária pelo menos até segunda feira.
Tomei café e resolvi aproveitar que estava um lindo dia sem nuvens e com um sol gostoso para ir em um parque qualquer, peguei meu celular e meu mp4 em meu quarto, logo depois do café, peguei um ônibus e fui.
Chegando lá o parque estava cheio, com adultos caminhando, velhinhos conversando e jogando dominó e muitas familias com crianças pequenas.
Me sentei no meio do parque, na grama mesmo, bem  longe das árvores e fiquei ali parada absorvendo o sol, depois de uma meia hora ouvi um choro de uma criança. Abri os olhos e vi que era um bebe, de mais ou menos 2 anos chorando, aparentemente havia se perdido da mãe. Fui até ele e perguntei o que havia acontecido, ele disse que não sabia onde estava sua mãe, com aquela voz doce de criança. Disse para ele se sentar ali comigo que logo logo sua mãe iria aparecer, no começo ele ficou meio assustado mas depois veio junto comigo. Ficamos sentados no parque brincando, durante uns 15 minutos, até que vejo uma mulher desesperada gritando pelo filho, acenei apontando para o garoto e ela sorriu aliviada. Veio até mim abraçou seu filho e me agradeceu, seu celular tocou ela atendeu nervosa e logo em seguida perguntou se eu podia ficar com o Thiago - esse era o nome dele - por uns 10 minutos pra ela resolver um problema. Disse que seria um prazer, e fiquei brincando com ele por esse tempo. Era incrível como eu amava e me dava tão bem com crianças.
A mãe da criança apareceu e se sentou junto conosco, e eu fiquei conversando com ela.
- Nossa, você fugiu de casa, assim, por conta e risco? Como você pretende se sustentar aqui?
- É. Ah eu tenho um dinheiro guardado que acho que dá para me sustentar até eu encontrar um trabalho. Eu ia atrás de trabalho hoje, mas dai em lembrei que era sábado.
- Entendi, e você pretende trabalhar no que?
- Qualquer coisa.
- Hm, já pensou em trabalhar como babá?
- Claro.
- Então acho que você já tem um trabalho...
- SÉRIO? - Gritei, eufórica.
- Se você quiser, eu to precisando mesmo de alguém que cuide do Thi, enquanto eu trabalho, já que minha filha que tomava conta dele foi fazr intercâmbio e eu sou divorciada, e vocês dois parecem ter se dado tão bem...
- É  a gente se deu muito bem mesmo. - Falei, sorrindo para o garoto que brincava de carrinho.
- Eu saio de casa muito cedo, então se você quiser se mudar pra lá, o quarto de hospedes está vago.
Eu não podia acreditar, estava arrumando um trabalho e eum lugar pra morar. Era perfeito demais para ser verdade.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Parte 5

Era tarde demais para voltar para a casa mas não para fugir daquela situação constrangedora. E num lapso de sanidade eu virei as costas e desci os 15 andares de escada. Ele chamou pelo meu nome, e eu não respondi, apenas continuei correndo pela escadaria.
Cheguei ao térreo ofegante, mas continuei correndo, sabia que ele viria atrás de mim. Assim que tomei uma distância razoavelmente boa de seu prédio parei para respirar e me localizar. Estava em um bairro nobre, isso era visível, mas não sabia exatamente qual, haviam poucas pessoas na rua e o tráfego de carros era pequeno, haviam vários prédios enormes com belos jardins de entrada e algumas casa bem grandes e com um toque requintado.
Ainda estava observando o bairro quando meu celular vibrou, mensagem dele. A mensagem era apenas um ponto de interrogação, não respondi. Eu não sabia o que responder, eu não sabia o que tinha me dado, talvez tenha sido o pânico de conhecer a familia dele. Aproveitei que estava com o celular nas mãos e tentei ligar novamente para ela: 'Fui viajar, não volto antes do dia 15, beijos.' era isso que dizia na caixa postal dela. Nesse momento eu fui escorregando pela parede de um dos predios que estavam atras de mim, aos prantos. Hoje era apenas dia 3, o que eu ia fazer? Aliás, o que tinha feito com  a minha vida?
Sentada na calçada, uma chuva fina começou a cair me molhando, mas eu não me importava, comecei a refletir sobre tudo que eu havia feito, pensei na briga com a minha mãe, no meu melhor amigo com aquela vagabunda, eu deixando ele a ver navios no elevador, e agora o sumiço dela. Da briga com a mãe eu não me arrependo, aliás não me arrependo de nada, acho que eu só deveria ter esperado um pouco e pensado como eu iria sobreviver nessa cidade. Meu celular vibrou novamente me tirando dos meus pensamentos, era ele.
'Se você precisar de qualquer coisa me liga, to preocupado com você mas sei que tu só quer ficar sozinha. Se cuida, por favor.' Era o conteúdo da mensagem, novamente não respondi. Me levantei, a chuva já havia parado e começei a perambular pela fria noite de São Paulo, até que um táxi, passou e eu fiz sinal para ele parar. Pedi para o motorista me levar para um hotel barato, sem muito luxo, apenas para passar a noite. Rodamos uns 10 minutos pela cidade até ele me deixar em frente a um hotel muito simpático, agradeci e paguei a corrida. Entrei no hotel e pedi um quarto pequeno somente para mim, por uma noite, a recepcionista arrumou tudo e me disse que o café da manhã era das 7 as 10 da manhã e o hotel tinha rede wi-fi de graça. Ai como eu amo a tecnologia. Agradeci, peguei a chave e fui até o quarto de número 23, entrei e avistei uma cama de casal, uma televisão, um ar condicinado e um frigobar. Também tinha um pequeno banheiro, e uma janela com uma vista bem bonita da cidade. A decoração era fofa e aconchegante, tirei meus tênis e fui direto para o banheiro tomar um longo e quentinho banho, era inverno, e eu estava molhada tinha que me aquecer. Vesti meu pijama e sequei o cabelo com a toalha, coloquei o celular e o mp4 para carregar e peguei o computador para ver meus emails. Nada de novo, apenas propragandas, desliguei o computador e liguei a televisão, fiquei deitada na cama apenas zapeando os canais da televisão mas logo em seguida cai em um sono profundo e pesado.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Parte 4

- Alô? - Ele atendeu.
- Oi Fernanda, sim sou eu. Não, não estou no Rio Grande do Sul. To em São Paulo e a Déh ta aqui também. Ela fugiu de casa.
- O QUE? ELA TEM PROBLEMAS? DEIXA EU FALAR COM ELA AGORA! - Ela gritava tanto que eu podia ouvir.
Ele passou o celular pra mim, mas não precisava, ela gritava tanto que eu podia ouvi-lá a metros de distância do aparelho de telefone.
Ela me xingou durante 17 minutos, e só parou porque haviam tocado o interfone, mas jurou que ligaria de novo, para, adivinhem? Me xingar e me mostrar como eu era infantil. Com medo dela ligar de novo, desliguei o celular e prometi a mim mesma que só ligaria no dia seguinte.
Ele ficou quieto durante a ligaçao toda e quando foi abrir a boca eu o impedi de falar.
'Eu sei que você concorda com cada fonema que ela falou, mas agora eu já estou aqui e não vou voltar pro sul. Então chega.' falei, chega de sermão por hoje.
- Alíás, você sabe aonde eu encontro uma pensão, ou algum lugar, barato para dormir? - Perguntei, imaginando como seria dormir sem o meu amado travesseiro.
- HAHAHHAAHHAHAHAHAHAHHA. - Ele gargalhou.
- Ta rindo do que seu problemático?
- Você acha que eu vou deixar você dormir em uma pensão?
- Você acha que eu vou deixar você pagar um hotel pra mim?
- Que hotel o que, você vai dormir no meu apartamento.
- Seu apartamento ta em reforma, animal.
- Ah, merda. Mas não interessa, você vai dormir lá me casa.
- HAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAH. - foi a minha vez de gargalhar.
- Do que esta rindo?
- Só tu mesmo para cogitar a hipotese de eu dormir na sua casa.
- Não estou entendendo.
- Puta merda. Ta vamos chegar na sua casa e você vai falar: 'então pai, mãe, essa é minha amiga louca que fugiu de casa e vai dormir aqui hoje, beijos.'
- Quer que eu te apresente como namorada? Por mim tanto faz.
- Não né, não quero que seus pais te achem pedófilo.
- Pedófilo nada, que eu saiba alguém ai já fez 18 anos.
- Ah verdade. Mas isso não muda nada.
- Muda sim, vamos.
- Não.
- Eu não vou falar denovo. Vai por bem ou por mal Déborah? - Ele falou sério.
- Ta seu chato, mas só por hoje. Depois eu vou atrás de um lugar para ficar. - Só aceitei porque da última vez que impedi dele fazer o que queria ele me carregou e me fez passar a maior vergonha do mundo.
- Claro, claro. - Ele falou com um sorriso convencido.
Fomos em direção ao estacionamento do shopping, entrei no carro dele e fomos em direção a sua casa, com o rádio ligado cantando, juntos, as músicas o mais alto que conseguíamos.
Ele estacionou o carro na garagem do enorme prédio onde morava e subimos até o decimo quinto andar de elevador. Um nervoso começou a tomar conta de mim, e eu passei a me perguntar porque havia saido de casa. Estava pensando em voltar. Mas agora já era tarde demais.

Parte 3

Depois de mandar a mensagem sentei-me em uma das mesas do Starbucks, mais ao fundo do estabelecimento. Uma garçonete veio esbanjando simpatia e me oferecendo o cardápio, recusei, e falei que mais tarde pediria algo. Não estava com fome, e não podia sair gastando por ai. O tempo passava lentamente, haviam passado apenas 6 minutos desde a hora do envio da mensagem, que aliás eu não obtive resposta, e eu ja estava impaciente e mexendo a perna de nervoso.
Quando fecharem 8 minutos que eu havia mandado a mensagem ele apareceu na porta. Eu corri, e o abraçei e chorei, exatamente como da primeira vez que o vi, mas da primeira vez eu estava chorando de alegria. Chorei tudo o que não havia chorado na briga com minha mãe, da frustação de o Raphael não estar em casa, no ódio de vê-lo com uma vadia, e do pânico de vir para a cidade dela, e ela não atender o celular. Ele apenas me envolveu em seus braços e falou: 'Você não troca de shampoo não?'
E assim ele arrancou um sorriso do meu rosto, eu amava aquele shampoo, e ele também, mesmo que não admitisse. Voltamos a minha mesa, e ele chamou a garçonete simpática e pediu algo qualquer para nós dois, mesmo eu insistindo que não queria nada. Começamos a conversar e eu contei o motivo de estar ali.
- Tá, então toda vez que você brigar com a sua mãe você vai fugir é? - Ele falou, vai começar o sermão.
- Não. Só fiz isso porque eu não aguentava mais.
- Ah claro. Você sabe o quanto isso é absurdo Déborah? - Ele disse, bravo.
- Sei, mas e dai? To pouco me lixando para aquela familia idiota.
Nessa hora, meu celular começou a tocar. Vejo o prefixo de Santa Catarina e automaticamente olho o relógio. Era minha melhor amiga, depois que ela entrou na faculdade tivemos que marcar horários para conversar, e sempre que uma não aparecia no horário sem dar satisfação nos ligávamos. E eu não apareci.
- Não vai atender? - Ele perguntou.
- Não tenho coragem, ela vai querer meus intestinos quando souber.
- Atende essa porra, ela vai saber uma hora ou outra. 
- Atendo você. - Falei, crente que ele não iria atender.
Mas ele atendeu. Adeus mundo, é agora que eu morro

Parte 2

Quando eu cruzei a porta de casa eu não tinha ideia de para onde ir, apenas fui andando pelo meu bairro até o onibus passar e eu pegá-lo. Só no meio do caminho percebi para onde estava indo: a casa do meu melhor amigo. O ônibus parou a duas quadras da casa dele, desci e quando cheguei em frente a sua casa fui para o beco ao lado do prédio dele e gritei pelo seu nome. Sua mãe apareceu na janela, me comprimentando simpática como sempre, avisando que ele não estava. Merda. Agradeci e ela perguntou se eu queria subir, disse que não, só pedi pra ela dizer a ele que eu o amo. Ela riu e perguntou se estava tudo bem, apenas confirmei e fui embora.
Agora eu já sabia exatamente onde ir, peguei o ônibus que me deixava em frente ao aeroporto, e durante o trajeto agradeci mentalmente por ter deixado o ipod dentro da mochila, eu não iria conseguir ir embora sem ele, e também não poderia voltar para casa para buscá-lo.
Cheguei ao aeroporto e fui direto comprar minha passagem para a terra da garoa, dei sorte de ser um dia de pouco movimento e consegui comprar uma passagem por um preço bastante bom. O avião decolava em 40 minutos, fiquei perambulando pelo aerporto até dar a hora.
Entrei na livraria e não acreditei no que vi: meu melhor amigo de mãos dadas com alguma loira vagabunda. Na mesma hora fui tirar satisfação, o que ele estava fazendo aqui? O que ele estava fazendo em um aeroporto com uma garota? O QUE? Não eu não gosto do meu melhor amigo, apenas tenho ciumes. Muito ciúmes.
'Oi Raphael.' - Falei olhando nos olhos dele.
'D-déh? Er, oi.' - ele gaguejou, surpreso de me ver ali.
'Ta fazendo o que aqui?' - Falei olhando pra ele e logo olhando para a loira, eu sabia que ele ia entender que tem um '...com ela?' na minha pergunta.
'Ah nada demais, eu to mostrando a cidade pra Luisa, minha prima, lembra dela?' - A vadia que pega 17 em uma festa e fica de porre toda semana? Foi o que eu tive vontade de responder mas ok.
'Aha, lembro sim' - Respondi
'Mas e você, o que veio fazer aqui?' - ele perguntou, mudando de assunto, pois percebeu que eu estava irritada. Odiava a prima dele.
'Hmm, estou indo pra São paulo, aliás, tá na minha hora.' - Falei e virei as costas. Pude ouvir ele me chamando, mas fingi que não ouvi, ele que fique lá com a Luisa Vadia.
Entrei no avião, me sentei e coloquei o ipod no último volume e fiquei olhando pela janela, sonhando como seria minha vida ali para frente.
Quando dei por mim, já haviamos pousado. Desci e fui me informar sobre o onibus que a propria companhia aérea fornecia gratuitamente até o shopping. Me disseram que ele estava saindo nesse momento então me apressei e entrei nele. Em meia hora chegamos ao shopping, entrei e fiquei olhando algumas lojas pensando no que fazer. Peguei meu celular e disquei o tão conhecido celular dela. Desligado. Caralho.
Na hoa me deu uma crise de pânico, eu tinha ido para São Paulo porque sabia que poderia contar com ela. Então me lembrei dele.
'To na sua cidade, na Starbucks, estou te esperando.' - Mandei através de sms para ele. Agora era só esperar, eu sabia que ele viria. Não viria?

Parte 1

Vinte de junho de 2014, eu tinha acabado de fazer 18 anos e estava tendo uma briga horrível com minha mãe. Uma das piores, eu não aguentava mais esse inferno, ela passando a mão na cabeça da minha irmã a todo custo e não percebendo o quanto isso estava fazendo mal as duas.
Também não aguentava mais ela de melação com meu pai, eles achavam que tinha uma semana de namoro e não vinte anos de casamento. Ela não me deixava sozinha com ele, por ciúme.
'Você fala isso, porque tem inveja de mim' ela falou, e para mim isso foi a gota d'agua.
'Claro, morro de inveja de ter que pintar os cabelos pra não parecer uma velha, ter que trabalhar e dois empregos pra sustentar a casa, ter três filhos e não se dar bem com nenhum e ser casada com um fracassado, falido que teve que ir pro outro extremo do país para pagar as dívidas. É mãe, realmente eu tenho milhares de motivos pra sentir inveja de você.' A respondi, e pude ver que ela chorava, mas eu não me importei, aquilo foi o cúmulo. Sai da sala e fui ao meu quarto, chorando de ódio, peguei minha mochila de estampa de vaca coloquei meu notebook lá dentro, umas duas camisetas, uma calça, um all star, e mais algumas roupas. E o dinheiro que eu havia guardado desde os 14 anos, além de coisas pra higiene pessoal.
Troquei meu pijama quentinho por uma skinny, um all star branco, duas blusas de lã e um moleton. Continuei com frio, estava no pico de um inverno rigoroso do Rio Grande do Sul, coloquei a mochila nas costas e desci as escadas, peguei minha chave e meu celular e estava abrindo a porta quando ela apareceu e falou: 'Se você sair por essa porta, você não entra mais.'
'Eu é que não vou querer entrar nunca mais.' E sai pela porta, segurando o choro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Tive a ideia desse blog lendo o do Nah, pode parecer cópia, talvez até seja. Mas acho que os objetivos são diferentes, tenho a impressão que o dela é apenas uma diversão e o meu é para deixar registrado tudo o que eu imagino que vá acontecer e daqui alguns anos vir aqui e reler e ver se foi tudo como eu planejei ou tomou um rumo completamente diferente. Até porque atualmente ando pensando muito no futuro e de como vai ser, e estou ansiosa para isso, então eu espero que escrever sacie um pouco disso tudo.

Era isso, beijos. xx

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