quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Parte 3

Depois de mandar a mensagem sentei-me em uma das mesas do Starbucks, mais ao fundo do estabelecimento. Uma garçonete veio esbanjando simpatia e me oferecendo o cardápio, recusei, e falei que mais tarde pediria algo. Não estava com fome, e não podia sair gastando por ai. O tempo passava lentamente, haviam passado apenas 6 minutos desde a hora do envio da mensagem, que aliás eu não obtive resposta, e eu ja estava impaciente e mexendo a perna de nervoso.
Quando fecharem 8 minutos que eu havia mandado a mensagem ele apareceu na porta. Eu corri, e o abraçei e chorei, exatamente como da primeira vez que o vi, mas da primeira vez eu estava chorando de alegria. Chorei tudo o que não havia chorado na briga com minha mãe, da frustação de o Raphael não estar em casa, no ódio de vê-lo com uma vadia, e do pânico de vir para a cidade dela, e ela não atender o celular. Ele apenas me envolveu em seus braços e falou: 'Você não troca de shampoo não?'
E assim ele arrancou um sorriso do meu rosto, eu amava aquele shampoo, e ele também, mesmo que não admitisse. Voltamos a minha mesa, e ele chamou a garçonete simpática e pediu algo qualquer para nós dois, mesmo eu insistindo que não queria nada. Começamos a conversar e eu contei o motivo de estar ali.
- Tá, então toda vez que você brigar com a sua mãe você vai fugir é? - Ele falou, vai começar o sermão.
- Não. Só fiz isso porque eu não aguentava mais.
- Ah claro. Você sabe o quanto isso é absurdo Déborah? - Ele disse, bravo.
- Sei, mas e dai? To pouco me lixando para aquela familia idiota.
Nessa hora, meu celular começou a tocar. Vejo o prefixo de Santa Catarina e automaticamente olho o relógio. Era minha melhor amiga, depois que ela entrou na faculdade tivemos que marcar horários para conversar, e sempre que uma não aparecia no horário sem dar satisfação nos ligávamos. E eu não apareci.
- Não vai atender? - Ele perguntou.
- Não tenho coragem, ela vai querer meus intestinos quando souber.
- Atende essa porra, ela vai saber uma hora ou outra. 
- Atendo você. - Falei, crente que ele não iria atender.
Mas ele atendeu. Adeus mundo, é agora que eu morro

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