quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Parte 4

- Alô? - Ele atendeu.
- Oi Fernanda, sim sou eu. Não, não estou no Rio Grande do Sul. To em São Paulo e a Déh ta aqui também. Ela fugiu de casa.
- O QUE? ELA TEM PROBLEMAS? DEIXA EU FALAR COM ELA AGORA! - Ela gritava tanto que eu podia ouvir.
Ele passou o celular pra mim, mas não precisava, ela gritava tanto que eu podia ouvi-lá a metros de distância do aparelho de telefone.
Ela me xingou durante 17 minutos, e só parou porque haviam tocado o interfone, mas jurou que ligaria de novo, para, adivinhem? Me xingar e me mostrar como eu era infantil. Com medo dela ligar de novo, desliguei o celular e prometi a mim mesma que só ligaria no dia seguinte.
Ele ficou quieto durante a ligaçao toda e quando foi abrir a boca eu o impedi de falar.
'Eu sei que você concorda com cada fonema que ela falou, mas agora eu já estou aqui e não vou voltar pro sul. Então chega.' falei, chega de sermão por hoje.
- Alíás, você sabe aonde eu encontro uma pensão, ou algum lugar, barato para dormir? - Perguntei, imaginando como seria dormir sem o meu amado travesseiro.
- HAHAHHAAHHAHAHAHAHAHHA. - Ele gargalhou.
- Ta rindo do que seu problemático?
- Você acha que eu vou deixar você dormir em uma pensão?
- Você acha que eu vou deixar você pagar um hotel pra mim?
- Que hotel o que, você vai dormir no meu apartamento.
- Seu apartamento ta em reforma, animal.
- Ah, merda. Mas não interessa, você vai dormir lá me casa.
- HAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAH. - foi a minha vez de gargalhar.
- Do que esta rindo?
- Só tu mesmo para cogitar a hipotese de eu dormir na sua casa.
- Não estou entendendo.
- Puta merda. Ta vamos chegar na sua casa e você vai falar: 'então pai, mãe, essa é minha amiga louca que fugiu de casa e vai dormir aqui hoje, beijos.'
- Quer que eu te apresente como namorada? Por mim tanto faz.
- Não né, não quero que seus pais te achem pedófilo.
- Pedófilo nada, que eu saiba alguém ai já fez 18 anos.
- Ah verdade. Mas isso não muda nada.
- Muda sim, vamos.
- Não.
- Eu não vou falar denovo. Vai por bem ou por mal Déborah? - Ele falou sério.
- Ta seu chato, mas só por hoje. Depois eu vou atrás de um lugar para ficar. - Só aceitei porque da última vez que impedi dele fazer o que queria ele me carregou e me fez passar a maior vergonha do mundo.
- Claro, claro. - Ele falou com um sorriso convencido.
Fomos em direção ao estacionamento do shopping, entrei no carro dele e fomos em direção a sua casa, com o rádio ligado cantando, juntos, as músicas o mais alto que conseguíamos.
Ele estacionou o carro na garagem do enorme prédio onde morava e subimos até o decimo quinto andar de elevador. Um nervoso começou a tomar conta de mim, e eu passei a me perguntar porque havia saido de casa. Estava pensando em voltar. Mas agora já era tarde demais.

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